domingo, 13 de janeiro de 2013

A maior polêmica diplomática de nossa história, Brasil vs Inglaterra.

    O que vou tratar hoje, não será nada relacionado a futebol, se era essa sua pretensão, acessou o blog errado. No artigo de hoje, trataremos a respeito de uma polêmica de 1861, não defendendo nenhum dos lados. 1830, o Brasil ainda dependia do tráfico negreiro por causa da disputa entre Cuba no comércio do açúcar, o governo inglês já cansado de pressionar o governo brasileiro, classificaria a atitude do tráfico como pirataria. Em 1845, a Inglaterra promulga o Bill Aberdeen. Essa lei dava concessão aos navios ingleses capturar e averiguar as cargas dos navios brasileiros, e se caso negros escravos fossem encontrados o capitão do navio seria preso, para ser interrogado na legislação britânica e se caso houvesse de ter fuga, os navios ingleses tinham autorização para bombardear, somente em 1850 aprova-se a Lei Eusébio de Queirós, ela extinguia de fato o tráfico negreiro. Mesmo com o fim do tráfico negreiro, os atritos entre Brasil e Inglaterra não acabaram por conta das questões escravista que ainda não tinha sido findado tanto que em 1858, nas convenções mistas foi assinada entre Brasil e Inglaterra segundo a qual uma comissão seria responsável das queixas de uma nação contra a outra. O governo britânico exigia que nosso país deveria findar a escravidão no brasil enquanto o Brasil clamava por indenizações de navios que tinham sido bombardeados, e as famílias dos tripulantes dos navios. No ano seguinte, a Inglaterra envia a embaixada brasileira o ministro William  Dougal Christie, este ministro inglês começou a causar polêmicas, segundo Pedro Calmon "ele era a pessoa menos indicada ao cargo", em 1861 começou protagonizando crise nas relações anglo-brasileiras que ficou conhecida como questão Christie. No ano precedente, o ministro tenta evita as relações entre os dois países. Christie fazia denúncia aos quais indagava ele para Graham: "Christie acusa que os escravos trazidos da África e contrabandeados depois do fim do tráfico, queixou-se que os "emancipados" não eram considerados legalmente livres, em 1859".
   
    A questão se agravou mais ainda quando houve de ter um naufrágio da embarcação inglesa Prince of Wales, essa barca naufragou em junho de 1861, na costa do Albardão, localizada no extremo extremo Sul do Rio Grande do Sul, região inóspita, não se sabe em que dia houve de ter o naufrágio da embarcação inglesa, um garoto de nove anos, filho de Bento Venâncio Soares- juiz de paz do distrito, foi a primeira pessoa a tomar conhecimento do assunto, o filho disse a ele que "viu figuras deitadas na praia e ao retornar a casa trazia notícias" e contou tudo o que viu ao cunhado Faustino José Silveira (inspetor do distrito de Albardão) e ao seu pai. Silveira convocou 5 guardas nacionais, para ir ao local da tragédia, o cônsul inglês Henry Prendergast, acompanhado com 8 pessoas, dentre elas, oficiais da Alfândega, soldados de polícia e o próprio Soares. Viu restos do naufrágio espalhados numa distância de aproximadamente 1 milha, o inspetor Silveira relatou Vereker, que encontrara dez corpos, que tinham sido enterradas persuadiu ele que os cadáveres se encontravam numa longa distância do local onde foram achados os restos do navio. Todavia, apenas 4 foram reconhecidos, 6 haviam sumido, a tese de Vereker era de que a tripulação havia sido assassinada e os produtos do navio tinha sido saqueadas, mesmo que os cadáveres não apresentasse indícios de assassinato. Em março de 1862, O embaixador inglês pediu novas investigações, além de compensações as famílias dos tripulantes e donos do navio Prince of Wales. Christie acreditava em 3 pontos principais: as autoridades locais estavam sendo negligentes quanto ao caso, a tripulação havia sido morta e que o governo inglês eram os únicos interessados no caso. As investigações prosseguiram, os habitantes de Albardão pouco falaram sobre o assunto e no final das investigações, três pessoas foram indiciadas, duas delas fugiram para o Uruguai não sendo encontradas e 1 serviu como testemunha do caso. Christie, inconformado procurou Vereker que foi convidado a ir até Albardão novamente, com intuito de interrogar os habitantes, diante da recusa dele o delegado de polícia fez as seguintes investigações o qual apontou subdelegado Delfim Francisco Gonçalves que teria ocultado provas relacionado aos saqueadores do navio. O Subdelegado terminou perdendo o cargo. Mesmo assim, Vereker criticou a escassez das investigações tanto quanto Christie acusava o subdelegado, o Juiz de paz e o inspetor como coniventes ao caso. Nesse mesmo mês, Christie pediu Richard Warren- comandante das nações navais do atlântico Sul- para que mandasse "um navio de guerra ao Rio Grande com um oficial de alta patente, e importância, capaz de assistir Vereker no inquérito que talvez fosse instituído". Então Vereker foi acompanhado por Thomas Saumarez, no entanto, esse compareceu ao inquérito na posição de representante não-oficial, dado que o presidente da província alegou não ter sido informado pelas autoridades inglesas que Saumarez seria um representante oficial.
   
     Se as relações entre Brasil e Inglaterra já estavam conturbadas, em junho de 1862, outro fato agravou o caso. Três marinheiros ingleses do forte, em Tijuca, perto da cidade do Rio de Janeiro, teriam sido abordados por policiais brasileiros, "sem motivos" e foram presos, na manhã seguinte foram obrigados a ir a pé até o Rio de Janeiro, mesmo que tenham oferecido dinheiro para arcar com os custos do transporte. Porém, testemunhas brasileiras teriam relatado uma versão totalmente diferente, que estavam trajando roupas civis, estavam bêbados, agrediram um cavaleiro e agrediram verbalmente uma sentinela. Quando foram presos, provocaram um distúrbio geral, por último o oficial da guarda havia levado os ingleses a pé para o Rio, pois tinha recebido essa ordem. Depois foram soltos, mais os casos gerou mais correspondências entre os dois países, logicamente Christie preferiu crer no depoimento dos marinheiros. Em dezembro de 1862, o ministro inglês gerou represálias, de 31 de dezembro a 6 de janeiro, o porto do Rio fora bloqueado, 5 navios brasileiros foram aprisionados por uma esquadra britânica de guerra exigindo o pagamento de 3,2 milhões de libras esterlinas como indenização aos prejuízos causados aos ingleses. A população carioca começou a protestar ameaçando invadir propriedades britânicas que estavam residente em nosso país. O imperador D. Pedro II, em uma entrevista em um jornal, afirmou ele: "Não quero saber, se o Brasil está errado, que os ingleses venham; os brasileiros estarão prontos para a guerra".

     A respeito da prisão dos ingleses, os policiais foram demitidos, o diplomata brasileiro Carvalho Moreira, classificou os atos na época, como atos de guerra, tanto que afirmou ele, que o governo brasileiro deveria começar a equipar seu exército na defesa da antiga capital brasileira (Rio de Janeiro). Em maio de 1863, o imperador decidiu romper relações diplomática com a Inglaterra, mesmo que as relações econômicas e comerciais não tenha sido prejudicadas, as polêmicas geravam rixa entre a Inglaterra que era parte do velho mundo e o Brasil que pertencia ao novo mundo. Nesse mesmo, ano para apaziguar ambas as nações, o imperador brasileiro solicitou o arbitramento de uma terceira nação, ao Rei da Bélgica sendo favorável ao Brasil, afirmando que as ações das autoridades brasileiras não eram de caráter ofensivo à Marinha Britânica. Referente ao Prince of Wales, governo brasileiro pagou o estipulado pelos ingleses, mas sob protesto. Por fim, somente em 1865, o Brasil voltou a ter relações diplomáticas em meio a guerra do Paraguai. Christie, volta para Inglaterra, afastado de seu cargo de ministro, e não voltando mais ao Brasil.

Ilustração do ex-embaixador britânico, Christie.

11 comentários:

Jeniffer Haddad disse...

Cara, estudei muito isso no vestibular, sei de quase tudo, mas vc conseguiu me dar uma relembrada. Gosto muito de história :D

Chrona Wally disse...

Muito bom o texto e bem claro.
Acho que o texto poderia se tornar ainda melhor se você desse um toque mais opinativo.

Abraço e parabéns pelo Blog.
____________________


http://chronatirinhas.blogspot.com.br/

Bruno webert neto disse...

Muito Legal o Texto Histórico, nunca havia lido algo sobre este fato e a policia brasileira causando desde 1800 kk

Cafajeste Sedentário disse...

''muito bom,o artigo'' .

Yuh A. disse...

Eu bem que tento separar Estado e capitalismo, mas eles não vivem sem o outro! Não param de se entrelaçar, numa dependência mútua e desprezível!

Quando um Estado tem sua política pautada pelo interesse da burguesia, como é qualquer Estado burguês, não é possível separar um de outro. Quando um Estado usa seu exército para garantir interesses de empresários, não há como separar. Quando um Estado inventa guerras para aquecer a indústria bélica, não é possível separar.

Eu de digo fatores que causaram a fome não só na Ucrânia, como na Rússia também, e o senhor não me apresenta nada em troca. Assim fica difícil.

Pode colocar na conta do Capitalismo a 1ª Guerra também. Não vamos competir quem tem o maior "genocídio", até porque isso é doentio (e um deles não é real).

Eu até postaria uma fonte sobre o Holodomor e a propaganda nazista, mas é de um site pra lá de tendencioso.

Lucas Adonai disse...

Cada post uma aula!
Parabéns ;)

Állef Diego disse...

Acho que deveriasmos estudar mais sobre isso.
Muito bom o Post, está de parabéns!

Lucas Adonai disse...

Vou pesquisar mais sobre o assunto, cara.

João Alexandre Rodrigues disse...

Cultura é sempre bem-vinda!!!!!

Cafajeste Sedentário disse...

Irmão,honestidade? não consegui ler todo post,achei longo demais,e até chato por vezes

Victor Lourenço disse...

A mentalidade das elites brasileiras era muito atrasada, visto que a economia de um país continental foi sustentada pela escravidão por séculos.